Ela disse rapidamente, gaguejando um pouco:
- Pai, desculpe, não sabia que você estava com visita.
- Tudo bem, querida. Tenho certeza de que o conde Efron vai perdoar sua chegada pouco cerimoniosa. - Seu pai estava sorrindo quando saiu de trás da mesa para pegar sua mão e beijá-la, mas ele não levantou-a no colo para um abraço de urso como de costume. - Não é mesmo, Zackary?
- Foi uma interrupção charmosa. - A voz do recém-chegado era grave e ressonante, o inglês, perfeito. Ele aproximou-se e pegou a mão que ela oferecera desajeitadamente. - Então, esta é sua Vanessa, signore.
O toque dele foi leve, mas foi como receber um pequeno choque, pensou ela. Ele disse, com perfeita cortesia:
- É um prazer conhecê-la, signorina, - Depois olhou para o sr. Greg Hudgens. - Você é um homem de sorte, meu amigo.
- Também acho. - A mão do pai permaneceu momentaneamente sobre seu ombro. - Agora vá desfazer suas malas, minha pequena - ele acrescentou. - E nos encontraremos mais tarde, para o chá.
Normalmente, Vane pensou, se papai estivesse ocupado quando eu chegasse em casa, eu tirava meus sapatos, me enrascava nessa mesma cadeira e o esperava terminar. De alguma maneira, ela já sabia que tudo estava mudando.
Só não fazia idéia do tamanho da mudança.
Quando ela voltou relutantemente para o hall, encontrou a sra. Penistone, a governanta, um tanto ansiosa.
- Oh, srta. Vanessa, era para eu dizer para você que seu pai não podia ser incomodado - ela falou, em tom de desculpas. - Espero que ele não tenha ficado irritado.
- Não pareceu. - Vane pegou o que restava de sua bagagem e começou a subir as escadas. - Não se preocupe com isso, querida Penny. Vamos tomar chá todos juntos mais tarde, então acho que fui perdoada. E vou me desculpar novamente quando a visita tiver ido embora.
- Oh, mas ele não vai embora - informou-lhe a sra. Penistone. - Vai ficar para o Natal. Seu pai me disse ontem para preparar o Golden Room para ele.
- É mesmo? -A notícia fez com que Vane parasse no meio do caminho. - Mas ele nunca tem visitas para o Natal. Sempre disse que a paz deve começar em casa.
- Bem, este ano não vai ser assim. - A velha senhora apertou os lábios. - Ele convidou todo mundo do bairro.
- Até mesmo os Aubreys de High Gables? - Emily tentou soar casual. - Meu Deus, ele realmente vai comemorar.
Ele realmente deve estar querendo impressionar o conde Sabiaseládoquê, ela pensou quando entrou no quarto. Mas, se aquilo significava que Simon Aubrey estava vindo para a festa, tinha de ficar grata pelo intruso inesperado.
Meu lindo, maravilhoso Simon, ela sussurrou, e sorriu quando começou a formar a imagem dele na mente. Mas a imagem que se apresentou era muito diferente. Não era a bela aparência de garoto, mas uma pessoa mais velha e com a expressão sombria. Um rosto de linhas duras, maxilar protuberante e nariz aquilino e que, ao mesmo tempo, conseguia ser, de alguma maneira, bonito,
Não havia toque de leveza nesse Zackary Efron. Ao contrário, havia uma dureza descompromissada na boca e no maxilar e uma arrogante frieza no olhar, que parecia pedir atenção do mundo. E ela estremeceu.
Enquanto desfazia as malas, fez planos específicos sobre o que faria se visse o conde Efron a observando novamente. Não que isso fosse provável, ela rapidamente assegurou-se.
No entanto, se... se isso acontecesse, ela olharia de volta, fria e calma, mas, ao mesmo tempo, com tanta altivez que o faria perceber que sua vigilância não era bem-vinda e o faria se lembrar dos bons modos.
Mas ela logo descobriu que esse planejamento foi totalmente em vão. Porque logo ficou aparente que, no que dizia respeito ao conde, ela talvez pudesse também ser invisível. E, nas poucas ocasiões em que parecia notá-la, ele a tratava com formal distância, um adulto relutante lidando com uma criança, ela pensou.
Para piorar as coisas, o pai parecia preocupado de forma incomum. Na verdade, ela quase não o via, pois ele ficava no escritório com o conde Efron horas a fio.
Essa não era a movimentação normal para o dia do Natal, pensou Vane com melancolia, embora tenha dito a si repetidamente que estava sendo boba e egoísta. Que seu pai tinha o perfeito direito de convidar qualquer um que quisesse para a própria casa, em qualquer época do ano.
Mas ela crescera acostumada, desde a morte de sua mãe, há cinco anos, a tê-lo só para si durante as férias escolares, e desejava que o conde Efron tivesse feito a visita em alguma outra época.
Estava começando a se sentir a intrusa. Sentia como se sua presença fosse um obstáculo a todas as discussões que estavam acontecendo.
Ela imaginou que deveria haver um grande negócio sendo discutido, mas era melhor não perguntar, e esforçava-se ao máximo para não ficar ressentida.
O sr. Greg nunca tinha falado sobre as ramificações de seu império, dizendo-lhe que ela era jovem demais para entender. No entanto, tinha certeza de que as coisas seriam diferentes se ela fosse um menino. Sua única filha não teria função alguma no futuro gerenciamento da companhia.
Papai, o dinossauro, ela pensou com um leve suspiro.
Em vez disso, com o total consentimento do pai, ela fora estimulada pelas professoras a estudar Belas-Artes na universidade. E embora não fosse contra a idéia, também não era entusiasmada.
Por outro lado, agora Simon estava em sua vida, e o futuro talvez pudesse tomar um outro rumo, ela pensou, à medida que a excitação crescia.
Os Aubreys e os Hudgens nunca foram muito íntimos, e embora Simon, que era sobrinho do sr. Aubrey, tivesse sido uma visita freqüente no passado, ele não prestara muita atenção em Vane até o verão anterior, quando a convidou para jogar tênis.
O convite tinha vindo de Jilly, a filha única dos Aubreys, uma loira fria, de pernas esguias, três anos mais velha do que Vane, e que deixara bem claro que só tinha convidado Vane porque alguém tinha desistido na última hora.
Foi um início pouco promissor, mas quando Simon sorriu para ela e a convidou para fazer dupla com ele, Vane sentiu-se muito melhor. E quando eles ganharam, ela regozijou-se com a admiração dele por ela.
Depois disso, Simon deixou claro que a convidaria quase todos os dias para jogar tênis ou para nadar na piscina, embora Jilly não tenha ficado contente com essa mudança e não tenha feito esforço para esconder isso.
Mas Vane convenceu-se de que a atitude de Jilly não importava. Porque ela estava apaixonada e não ligaria que soubessem.
E Simon parecia sentir o mesmo. Tudo o que ele dizia para ela sempre que a pegava nos braços era uma promessa para o futuro.
Naturalmente, não poderia haver um reconhecimento formal do relacionamento deles por pelo menos mais um ano, e ambos sabiam disso.
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